Quem espera na pura espera, vive um tempo de espera vã.
Por isso, enquanto te espero, trabalharei os campos e conversarei com homens e mulheres.
Suarei meu corpo que o sol queimará, minhas mãos ficarão calejadas.meus pés aprenderão o mistério do caminhar, meus ouvidos ouvirão mais, meus olhos verão o que antes não viam.
Enquanto esperarei por ti, não esperarei na pura espera.
Porque meu tempo de espera é um tempo de que fazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me , em voz baixa e precavidos:
è perigoso agir, é perigoso falar, é perigoso andar; é perigoso esperar na forma em que esperas.
Porque esses recusam a alegra da tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me, com palavras fáceis que já chegaste.
Por que esses, ao anunciar-te ingenuamente te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada como o jardineiro que prepara o jardim para a rosa que se abrirá na primavera.
Paulo Freire (Educador, Escreveu város livros: Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da autonimia...entre outros)